domingo, 12 de outubro de 2014

Meu riso mais fajuto

Tudo começou a me atordoar cedo. As minhas lágrimas, já constantes, não cessavam. Mesmo assim levantei, coloquei o meu melhor vestido e sorri. Sorri como nunca havia feito antes.

Meu riso escondia as lamentações que estavam por trás dos meus olhos. O meu vestido apenas ajudou a melhorar a aparência, ainda assim não estava confortável. O dia não estava bom, uma nuvem cinzenta cobria o céu  e parecia combinar perfeitamente com o meu humor, infeliz e apagado. Não podia chorar, porque apesar de estar com a minha família não era justo que eu estragasse o dia das pessoas que eu mais amo com minhas reclamações bobas e inúteis sobre a vida. 
Não sou culpada por ser tão indecisa. As marcas do meu passado ainda refletem no meu presente. Quantas vezes tentei seguir em frente e deixar tudo para trás, escolher um caminho novo e pessoas novas. Tentei amar alguém e fracassei, tentei calar os soluços que insistiam em me sufocar, mas apenas deixei que as lágrimas caíssem, tentei ser feliz e realmente fui, mas a felicidade não é eterna.
Tudo o que mais queria é que fosse simples, acho que todos queriam isso. Não sei porque insistem em dizer que tudo que é difícil é melhor, até agora eu não vi esse lado positivo. Que melhor é esse que te impede de amar alguém e que te faz voltar atrás toda vez que tentam se aproximar. Que melhor é esse que não te deixa ser feliz e rir à toa, mas não um riso forçado, um riso daqueles que te faz ficar sem ar. Que melhor é esse que te faz negar um abraço com medo de apaixonar e acabar chorando, ali mesmo.
Eu realmente não entendo. Porque tudo isso? Porque comigo? Talvez agora só a minha cama seja a minha fiel companheira e amiga para todas as horas. Afinal é a única que me ouve sem dizer uma palavra estúpida na tentativa insana de me consolar.

Abaixo um dos meus poemas favoritos:

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
~John Turner e Geoffrey Parsons~

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